O consignado privado tem taxas menores que o empréstimo pessoal porque o desconto é garantido em folha. Porém, diferente do consignado público, se você for demitido a dívida não some, ela continua sendo sua responsabilidade. Avalie sua estabilidade no emprego antes de contratar.
O que é consignado privado
O crédito consignado privado é uma modalidade de empréstimo para trabalhadores CLT de empresas privadas, onde as parcelas são descontadas automaticamente da folha de pagamento antes de o salário chegar à sua conta.
Diferente do consignado para servidores públicos (que existe há décadas), a versão para o setor privado foi regulamentada mais recentemente no Brasil e ganhou maior impulso com a Lei nº 14.431/2022, que criou mecanismos para facilitar o acesso de trabalhadores CLT ao crédito com desconto em folha.
Diferença para consignado público e INSS
| Tipo | Quem pode | Risco de demissão | Taxa média |
|---|---|---|---|
| Consignado público | Servidores federais, estaduais e municipais | Baixo (estabilidade) | 1,1% a 1,8% a.m. |
| Consignado INSS | Aposentados e pensionistas | Inexistente | 1,4% a 1,9% a.m. |
| Consignado privado | Trabalhadores CLT | Alto (perda do emprego) | 1,5% a 3,0% a.m. |
Taxas e condições
As taxas do consignado privado variam conforme o banco, o porte da empresa conveniada e o perfil do funcionário. Em geral, ficam entre 1,5% e 3% ao mês, significativamente menores que:
- Empréstimo pessoal sem garantia: 4% a 10% ao mês
- Cartão de crédito rotativo: 12% a 20% ao mês
- Cheque especial: 8% a 15% ao mês
O prazo de pagamento pode chegar a 96 meses (8 anos), com o limite de comprometimento de 35% do salário líquido.
Riscos: o que acontece se você perder o emprego
Este é o ponto mais crítico do consignado privado. Ao contrário do servidor público com estabilidade ou do aposentado (que recebe benefício vitalício), o trabalhador CLT pode ser demitido a qualquer momento.
⚠️ Atenção: Se você for demitido com saldo devedor de consignado privado, a dívida continua. O banco pode usar parte do saldo do FGTS para abater parcelas (dependendo do contrato), mas o restante se torna uma dívida convencional, sem o desconto automático e com possibilidade de negativação.
Cenários possíveis após a demissão:
- Banco usa o FGTS: Alguns contratos preveem a autorização para uso de parte do FGTS como garantia.
- Dívida passa a ser cobrada diretamente: Você recebe boletos e passa a gerir o pagamento por conta própria.
- Inadimplência e negativação: Se não pagar, pode ter o CPF negativado nos birôs de crédito.
Quem pode contratar
Para ter acesso ao consignado privado, é necessário:
- Ser trabalhador CLT com carteira assinada
- Trabalhar em empresa que tenha convênio com algum banco ou financeira
- Ter margem consignável disponível (35% do líquido menos comprometimentos já existentes)
- Não estar em período de experiência (na maioria dos contratos)
Como funciona o desconto em folha
O processo é simples:
- Você verifica com o RH da sua empresa quais bancos têm convênio para consignado privado
- Solicita a proposta ao banco parceiro
- Assina o contrato e autoriza o desconto direto na folha de pagamento
- O banco repassa o valor contratado à sua conta
- Cada mês, o RH desconta a parcela automaticamente antes de depositar o salário
O trabalhador não precisa se preocupar em lembrar de pagar a parcela, o desconto é automático. Por isso, a inadimplência só ocorre em caso de demissão ou rescisão.
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